Mendigo
Atrapalho,
incomodo,
sobro,
fedido que sou.
Espalho
o perfume
da miséria
humana,
camuflada
sob o véu
de fragâncias
importadas.
(... continua num futuro livro)
O Tempo
O tempo se modifica
liquidifica-se
e nós passamos pelo tempo
como navegantes em alto mar
Não é o tempo que passa
somos nós que passamos por ele
O tempo não existe: é constante
nós que existimos nele, efêmeros que somos
liquidifica-se
e nós passamos pelo tempo
como navegantes em alto mar
Não é o tempo que passa
somos nós que passamos por ele
O tempo não existe: é constante
nós que existimos nele, efêmeros que somos
O Amor e o Tempo
As paredes com o tempo,
O sol, a chuva, o vento...
Vão perdendo toda a cor.
Será assim também o amor?
Não. O amor não é morto e frio
Como as paredes. É porto e rio,
Sempre o mesmo e sempre jovem,
Novas cores no coração do homem.
Entre Livros
Perdido entre livros e o invisível,
tenho um mundo a minha volta.
O mundo do sagrado, do indizível;
conhecimento, poder, revolta.
tenho um mundo a minha volta.
O mundo do sagrado, do indizível;
conhecimento, poder, revolta.
Bilu
Meu cachorro Bilu
não mais late pra mim
Com um brilho nos olhos
e um sorriso no rabo
Meu cachorro Bilu
é silêncio e luto
não mais late pra mim
Com um brilho nos olhos
e um sorriso no rabo
Meu cachorro Bilu
é silêncio e luto
Selva Urbana
Uma cidade
não é feita apenas de concreto
pedra e vidro
carros, ônibus, motores
ferros e resistência
metrô e trem
É feita de sangue
e vida
seiva
que percorre ruas e avenidas
becos e alamedas
favelas
penetra por todos os poros da cidade
entra na linha do trem
atravessa estações
ocupa edifícios
sobe e desce
o corcovado
escadas e elevadores
e se espalha pelo Ibirapuera
Uma cidade é uma árvore
que estende suas raízes para longe
à procura de equilíbrio e alimento
Uma cidade não é uma ilha
as cidades são florestas de concreto
habitadas por lobos e cordeiros
gulosos e famintos:
selva humana!
Uma cidade precisa de muita comida
toneladas de frutas
milhares de litros de leite e água
oxigênio e...
papel higiênico!
O Calo do Silêncio
Tenho tanto a dizer
e tijolos calam meus dedos
Esse silêncio que se vê nos meus olhos
é uma vontade louca de gritar meus medos
Tenho um calo no peito:
bolha de coisas indizíveis
19/06/2010
Ao reproduzir um poema, cite a fonte. Todos os direitos reservados pelo autor. Plagiar é crime! Respeite os direitos autorais!
e tijolos calam meus dedos
Esse silêncio que se vê nos meus olhos
é uma vontade louca de gritar meus medos
Tenho um calo no peito:
bolha de coisas indizíveis
19/06/2010
Ao reproduzir um poema, cite a fonte. Todos os direitos reservados pelo autor. Plagiar é crime! Respeite os direitos autorais!
Lido um Livro Novo
Levo um livro leve.
Lavo um livro lido.
Louvo um livro livre!
Lido um livro novo.
Leve, um livro levo.
Leve um livro lido!
Ao reproduzir um poema, cite a fonte. Todos os direitos reservados pelo autor. Plagiar é crime! Respeite os direitos autorais!
Amor Antigo
Que saudade do seu toque suave
Das suas mãos acariciando os meus cabelos
Dos seus olhos mergulhados nos meus
Ou perdidos no horizonte dos seus sonhos
Ou nos problemas que eu sequer sabia existirem
.
Que saudade do seu beijo quente, amoroso...
Se pudesse gostaria novamente
De tocar os seus seios macios e cheirosos
Você olhando para mim com um sorriso doce
Como se dissesse “eu te amo”
Pois não precisávamos de palavras
Você se deleitava com os meus toques e sorria
E, às vezes, até cantava para mim
Ficava brincando nos meus cabelos e eu dormia
.
Que saudade do nosso amor
Você me acariciava e eu sentia o seu coração
Eu não precisava nem abrir a sua blusa
Você desabotoava cada botão
Você se doava-me inteiramente
E minhas mãos iam ao encontro dos seus seios
Seus seios macios e suaves e perfumados...
Que já sabiam o caminho da minha boca
.
Ainda hoje eu procuro os seus seios
À noite no escuro do meu quarto...
Que saudade, mamãe!!!
Das suas mãos acariciando os meus cabelos
Dos seus olhos mergulhados nos meus
Ou perdidos no horizonte dos seus sonhos
Ou nos problemas que eu sequer sabia existirem
.
Que saudade do seu beijo quente, amoroso...
Se pudesse gostaria novamente
De tocar os seus seios macios e cheirosos
Você olhando para mim com um sorriso doce
Como se dissesse “eu te amo”
Pois não precisávamos de palavras
Você se deleitava com os meus toques e sorria
E, às vezes, até cantava para mim
Ficava brincando nos meus cabelos e eu dormia
.
Que saudade do nosso amor
Você me acariciava e eu sentia o seu coração
Eu não precisava nem abrir a sua blusa
Você desabotoava cada botão
Você se doava-me inteiramente
E minhas mãos iam ao encontro dos seus seios
Seus seios macios e suaves e perfumados...
Que já sabiam o caminho da minha boca
.
Ainda hoje eu procuro os seus seios
À noite no escuro do meu quarto...
Que saudade, mamãe!!!
Escravos da Liberdade
Na escuridão da cela
A escravidão é vela
Corpo e alma na prisão
A liberdade é invenção
O corredor do matadouro
Imponente, coberto d'ouro
.
A escravidão é vela
Corpo e alma na prisão
A liberdade é invenção
O corredor do matadouro
Imponente, coberto d'ouro
.
O Mito da Caverna
Há os que veem a sombra do mundo,
os que veem o seu reflexo,
os que o veem pelo olhar alheio
e os que acham que veem o mundo.
Enfim, o mundo não é;
o mundo parece ser.
E na sombra do mundo
muitos perecem sem luz.
(24/04/2010)
os que veem o seu reflexo,
os que o veem pelo olhar alheio
e os que acham que veem o mundo.
Enfim, o mundo não é;
o mundo parece ser.
E na sombra do mundo
muitos perecem sem luz.
(24/04/2010)
Silêncio
O silêncio é mudo.
O silêncio não fala.
Como irei ouvir o silêncio?
O silêncio é vasto como o mundo.
O silêncio me cala.
O poeta nasce do silêncio?
(06/01/2010)
O silêncio não fala.
Como irei ouvir o silêncio?
O silêncio é vasto como o mundo.
O silêncio me cala.
O poeta nasce do silêncio?
(06/01/2010)
Que Tenho eu no Mundo?
Depois de um tempo, a gente olha para a própria cria e percebe que ela continua viva; que uma chama do belo ainda continua acesa no coração do poeta-coração-de-pedra. Que pedra? Por isso, para compartilhar com você esse momento "poético-nostálgico", sopremos um micropoema do microlivro "Espuma Temporária". Quem sabe a chama se acenda...
que tenho eu no mundo?
alguns sonhos
e pés para caminhar: isso é tudo.
sonhos feridos por quem não acredita em mim;
sonhos sangrando...
sonhos que tento sonhar junto.
mas meus sonhos são incompreensíveis.
por isso desejo um buraco bem grande
onde possa me esconder pelo resto da vida.
um buraco que me consuma,
que me ame como sou.
lá onde ninguém alcançará meus sonhos
que brotarão flores.
alguns sonhos
e pés para caminhar: isso é tudo.
sonhos feridos por quem não acredita em mim;
sonhos sangrando...
sonhos que tento sonhar junto.
mas meus sonhos são incompreensíveis.
por isso desejo um buraco bem grande
onde possa me esconder pelo resto da vida.
um buraco que me consuma,
que me ame como sou.
lá onde ninguém alcançará meus sonhos
que brotarão flores.
Depois de um tempo a gente vê que as sementes aparentemente mortas germinaram, cresceram e produziram flores e frutos. Isso é muito gratificante! É a vida!
Vida Corrida
Só corro!
Só morro!
Já morro.
Deus, socorro!?
Uma tentativa de voltar à ativa poética. A gente só sabe se consegue tentando.
Só morro!
Já morro.
Deus, socorro!?
Uma tentativa de voltar à ativa poética. A gente só sabe se consegue tentando.
CONSTATAÇÃO
Eu não aguento
Eu fico louco
E me arrebento
Daqui a pouco
Por um momento
Sinto-me oco
Não há talento
Sou um toco
Poema originalmente publicado no livro Gritos de Liberdade, Papel & Virtual Editora, Rio de Janeiro, 2003.
TEMPO
Dormir, por um segundo,
É risco de não vir
A ter mais o mundo
No segundo do porvir.
Todo cuidado é pouco
No segundo fatal,
Melhor não ser louco
De perder a hora matinal.
Um segundo traz a vida
E a molda no espaço
Da existência à partida
Ao ritmo de um compasso.
Um segundo leva a vida
E a sopra o vento
Sobre a flor umedecida
De lágrimas e pensamento.
É risco de não vir
A ter mais o mundo
No segundo do porvir.
Todo cuidado é pouco
No segundo fatal,
Melhor não ser louco
De perder a hora matinal.
Um segundo traz a vida
E a molda no espaço
Da existência à partida
Ao ritmo de um compasso.
Um segundo leva a vida
E a sopra o vento
Sobre a flor umedecida
De lágrimas e pensamento.
Espuma Temporária
Quem sou eu? Nada sei de mim
transparente espuma temporária
vago no abismo da estratosfera
sem passado e sem futuro
um abismo em mim mesmo
uma pena que se move
sobre a folha nua
na tentativa
inútil
útil
til
a
me
ema
que voe
que tenha asas
de escrever um poema
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