Um poema sobre solidão

Um poema sobre solidão: quando a festa é o lugar mais solitário do mundo

Por Lucimar Justino · 4 de abril de 2026 · 4 minutos de leitura


Existe uma solidão que ninguém vê.

Não é a solidão de quem está só num quarto às três da manhã, aquela que a gente reconhece e nomeia. É a outra — a que aparece justamente quando estamos rodeados de gente, quando a música está alta, quando todos riem. É quando a festa deveria ser o antídoto, mas se torna o diagnóstico.

Foi num setembro assim que escrevi "Solidão". Não era uma noite trágica. Era, na verdade, uma noite comum — e talvez seja exatamente isso o que torna esse poema diferente para mim. A solidão não precisa de circunstâncias dramáticas. Ela mora no cotidiano. Na rua, na lida, na sala. Em qualquer lugar onde a gente está presente no corpo, mas ausente em algum lugar que não tem nome.

Esse poema ficou guardado por um tempo. Volto a ele agora, depois de seis anos de silêncio neste blog, porque ele ainda diz o que eu quero dizer. E porque talvez ele diga algo que você também precisa ouvir.


Solidão

Sou sozinho na vida
na noite, na rua
na festa, na lida,
na sala, na lua

Sou sozinho no mundo
na luta, na cama
na guerra insana
do Amor mais profundo

— Lucimar Justino

O que esse poema não é

Ele não é um desabafo de alguém sem amigos. Não é um pedido de socorro nem uma afirmação de vitimismo.

É, antes de tudo, uma observação. Uma tentativa honesta de nomear algo que a maioria das pessoas sente mas poucos conseguem articular: que a solidão não é a ausência dos outros. É, muitas vezes, a sensação de que a nossa versão mais verdadeira não encontrou companhia — nem na festa, nem na cama, nem no amor mais profundo.

A última estrofe é onde o poema se arrisca. "Na guerra insana do Amor mais profundo" — porque o amor, quando é real, também isola. Nos coloca numa zona que não tem tradução, que os outros só enxergam de fora. E amar profundamente, sem reciprocidade plena, é talvez a forma mais intensa de solidão que existe.

Por que voltar a falar sobre isso agora

Desde que publiquei esse poema pela primeira vez, em 2020, o mundo passou por um isolamento que deu nome e endereço à solidão de muitas pessoas. O que antes era sentimento difuso virou experiência compartilhada. E, paradoxalmente, foi nessa solidão coletiva que muita gente se sentiu menos sozinha.

Retorno a este blog depois de seis anos com esse poema porque acredito que ele ainda tem algo a oferecer. Não como resposta — a poesia raramente oferece respostas. Mas como companhia. Como prova de que alguém passou por aqui e sentiu o mesmo.

As palavras não mudam o mundo. Mas tocam pessoas. E pessoas tocadas mudam o mundo.


Sobre o livro

"Solidão" faz parte do universo poético que levou ao livro Estranhamentos (Scortecci Editora, 2018) — uma coleção de poemas escritos entre 2004 e 2018.


Acompanhe o blog

Estou retomando publicações aqui no Micropoema. Poemas, reflexões, bastidores da escrita.


Lucimar Justino é poeta e autor dos livros Gritos de Liberdade (2003) e Estranhamentos (2018). Siga no Instagram: @poetalucimarjustino

As Sem Razões do Amor


 Quando se somam os talentos de um grande poeta, um grande músico e um ótimo fotógrafo e produtor, o resultado é este.

Tem como não se encantar?


Solidão

 


Sou sozinho na vida
na noite, na rua
na festa, na lida,
na sala, na lua

Sou sozinho no mundo
na luta, na cama
na guerra insana
do Amor mais profundo

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Tenho Medo da Ignorância


Tenho medo da ignorância
que se esconde nas entrelinhas
que se disfarça em sorrisos
que se veste de sagrado
que se expressa com certeza
que se espalha como praga

Tenho medo da ignorância
que não respeita as diferenças
que não dá lugar à dúvida
que não dá outra alternativa
que se dá como absoluta
que se espalha como praga

Tenho medo da ignorância
que não dá lugar ao novo
que sufoca a esperança
que incita a violência
que expande os extremos
que se espalha como praga

Tenho medo da ignorância
que tem a solução perfeita
que não vê a humanidade
que oprime o oprimido
que implode pontes e põe barreiras
que se espalha como praga

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Amor é Liberdade


Sei que o verso final pode soar machista, por isso explico: existe uma pressão social para que o homem ou a mulher se case e constitua sua família. Tudo é amarrado, condicionado. E o verdadeiro amor? Muitas vezes não se casa por amor, mas por conveniência e oportunidade.
Também se casa na falsa esperança de se completar no outro e vice-versa. Não existe nada mais equivocado. Somos por inteiro. Se não nos amamos, não poderemos amar o outro. O amor começa em mim. Por isso não se pode cobrar amor. Quem se ama espalha amor. Quem não se ama mendiga amor. Amor é liberdade.
Condicionamentos, prisões, laços etc. só nos afastam do amor.
O amor brota de dentro para fora e se espalha à medida que nos libertamos das correntes e das prisões, físicas e mentais.
@poetalucimarjustino

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Sessão de Autógrafos - É hoje!!!


Meu Mar é Amor



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Novo livro: Estranhamentos

Amigos e amigas,

hoje é um dia muito especial!! Finalmente chegou o tão esperado novo livro ESTRANHAMENTOS!


Mais um sonho realizado! Mais um desafio lançado! Fruto de anos de vida e poesia!!! Tenho o prazer de compartilhar com vocês algumas fotos e a resenha do livro.

Gratidão a cada um de vocês pelo apoio recebido, pelo incentivo, pelas curtidas, pelos comentários, pela torcida, enfim, por acreditarem nesta ideia: as palavras não mudam o mundo, mas tocam pessoas. E pessoas tocadas mudam o mundo.



Sinopse do Livro ESTRANHAMENTOS:

Estranhamentos reúne poemas escritos entre 2004 e início de 2018. Ao longo dessa uma década e meia de investigação e exercício poético, Lucimar Justino, um “lavrador de versos”, se dedica a apre(e)nder e compreender o mundo e a vida.

Não é um processo fácil e talvez resulte sempre incompleto, ou melhor, eternamente em andamento. Requer disciplina para observar o que se passa de forma diferente: “viro-me do avesso e escrevo um verso”, afirma em “Avesso do Verso”, evidenciando a busca por um novo olhar sobre o que parece óbvio e natural, mas não é, e por isso mesmo é estranho, ao mesmo tempo que pode ser belo e mágico.

A poesia de Lucimar é concisa e breve, o tom é descontraído e lúdico, sem resvalar para o leviano ou ligeiro. Não perde profundidade e expressa (e compartilha) o assombro do autor diante do estranhamento que lhe causa o mundo.

A obra está dividida em cinco partes, ou olhares: para o outro, para si mesmo, para o mundo e suas contradições e desigualdades, para o fazer literário, para o potencial transformador de que todos devemos fazer uso e, enfim, para tudo isso ao mesmo tempo, porque a vida em plenitude pressupõe horizontes amplos e visão panorâmica.

O novo olhar que nos propõe Lucimar passa por todos os sentidos, convidando-nos a experimentar, sentir, ser – viver, enfim.


Minha gratidão à toda equipe da Scortecci Editora, em especial à Paola, que redigiu com perfeição e lindamente a resenha acima para a orelha do livro. Agradeço também à Marcelle, pela diagramação, e à Janaina, pela arte de capa.

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Um poema sobre solidão

Um poema sobre solidão: quando a festa é o lugar mais solitário do mundo Por Lucimar Justino · 4 de abril de 2026 · 4 minutos de leitura ...