15.11.10

O Tempo

O tempo se modifica
liquidifica-se
e nós passamos pelo tempo
como navegantes em alto mar

Não é o tempo que passa
somos nós que passamos por ele
O tempo não existe: é constante
nós que existimos nele, efêmeros que somos

1.10.10

O Amor e o Tempo



As paredes com o tempo,
O sol, a chuva, o vento...
Vão perdendo toda a cor.
Será assim também o amor?

Não. O amor não é morto e frio
Como as paredes. É porto e rio,
Sempre o mesmo e sempre jovem,
Novas cores no coração do homem.

28.8.10

Entre Livros

Perdido entre livros e o invisível,
tenho um mundo a minha volta.
O mundo do sagrado, do indizível;
conhecimento, poder, revolta.

21.8.10

Bilu

Meu cachorro Bilu
não mais late pra mim


Com um brilho nos olhos
e um sorriso no rabo


Meu cachorro Bilu
é silêncio e luto

30.7.10

Selva Urbana






Uma cidade
não é feita apenas de concreto
pedra e vidro
carros, ônibus, motores
ferros e resistência
metrô e trem
É feita de sangue
e vida
seiva
que percorre ruas e avenidas
becos e alamedas
favelas
penetra por todos os poros da cidade
entra na linha do trem
atravessa estações
ocupa edifícios
sobe e desce
o corcovado
escadas e elevadores
e se espalha pelo Ibirapuera


Uma cidade é uma árvore
que estende suas raízes para longe
à procura de equilíbrio e alimento


Uma cidade não é uma ilha
as cidades são florestas de concreto
habitadas por lobos e cordeiros
gulosos e famintos:
selva humana!


Uma cidade precisa de muita comida
toneladas de frutas
milhares de litros de leite e água
oxigênio e...
papel higiênico!


27.6.10

O Calo do Silêncio

Tenho tanto a dizer
e tijolos calam meus dedos
Esse silêncio que se vê nos meus olhos
é uma vontade louca de gritar meus medos


Tenho um calo no peito:
bolha de coisas indizíveis

19/06/2010
Ao reproduzir um poema, cite a fonte. Todos os direitos reservados pelo autor. Plagiar é crime!  Respeite os direitos autorais!

30.5.10

Lido um Livro Novo

Levo um livro leve.
Lavo um livro lido.
Louvo um livro livre!

Lido um livro novo.
Leve, um livro levo.
Leve um livro lido!

Ao reproduzir um poema, cite a fonte. Todos os direitos reservados pelo autor. Plagiar é crime!  Respeite os direitos autorais!

8.5.10

Amor Antigo

Que saudade do seu toque suave
Das suas mãos acariciando os meus cabelos
Dos seus olhos mergulhados nos meus
Ou perdidos no horizonte dos seus sonhos
Ou nos problemas que eu sequer sabia existirem
.
Que saudade do seu beijo quente, amoroso...
Se pudesse gostaria novamente
De tocar os seus seios macios e cheirosos
Você olhando para mim com um sorriso doce
Como se dissesse “eu te amo”
Pois não precisávamos de palavras
Você se deleitava com os meus toques e sorria
E, às vezes, até cantava para mim
Ficava brincando nos meus cabelos e eu dormia
.
Que saudade do nosso amor
Você me acariciava e eu sentia o seu coração
Eu não precisava nem abrir a sua blusa
Você desabotoava cada botão
Você se doava-me inteiramente
E minhas mãos iam ao encontro dos seus seios
Seus seios macios e suaves e perfumados...
Que já sabiam o caminho da minha boca
.
Ainda hoje eu procuro os seus seios
À noite no escuro do meu quarto...
Que saudade, mamãe!!!

2.5.10

Escravos da Liberdade

Na escuridão da cela
A escravidão é vela
Corpo e alma na prisão

A liberdade é invenção
O corredor do matadouro
Imponente, coberto d'ouro


.

1.5.10

Diferença

Faz diferença
o que faz
diferente

difere
porque crente

espera
porque rente
.
.
.

25.4.10

O Mito da Caverna

Há os que veem a sombra do mundo,
os que veem o seu reflexo,
os que o veem pelo olhar alheio
e os que acham que veem o mundo.

Enfim, o mundo não é;
o mundo parece ser.
E na sombra do mundo
muitos perecem sem luz.

(24/04/2010)

24.4.10

Silêncio

O silêncio é mudo.
O silêncio não fala.

Como irei ouvir o silêncio?

O silêncio é vasto como o mundo.
O silêncio me cala.

O poeta nasce do silêncio?


(06/01/2010)
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