31.1.06

Tempo de Amor



com Alessandra e Max

Não há estrelas no céu que vejo
mas as estrelas existem
quando sinto o sabor da tua boca
quando sinto o sabor do teu beijo

Vejo então nos teus olhos
o brilho que não percebo nas estrelas
pois não há estrelas no céu
mas as estrelas existem

Não há lua no céu
não há lua no mar
mas mesmo assim
eu vejo a lua no teu olhar

Não há lua no céu
pois o tempo não existe.
O tempo não existe? Existe!
O tempo existe, não existe!?
Mas não há lua no céu.

Não há lua no céu,
não há lua no mar.
Mas vejo a lua no teu olhar,
e o tempo não existe.

O tempo existe?
O tempo não existe,
o tempo é convenção.
Só o tempo presente que existe.

A lua insiste,
o brilho persiste
e as estrelas, existem!

O tempo existe?
Existe ou não existe...
Mas desista de pensar...
A lua está no céu
mas a vejo no mar
A lua está no céu
mas em que céu a brilhar?
O céu está no lugar do tempo.

O badalo da lua
no relógio do céu:
o tempo.
Tempo que perdemos,
tempo que tentamos nos encontrar.
Tempo que não existe
entre a minha boca e o teu olhar.

Não há estrelas no céu que vejo,
mas as estrelas estão a brilhar
no breve espaço de tempo que um beijo
celebra o casamento do nosso olhar.

30.1.06

Campos e Espaços

a Haroldo de Campos


As folhas são flores
em campos pedregosos
em espaços solitários

As flores são folhas
em campos verdejantes
em espaços ocupados

A folha pálida angustia
o poeta arquiteto
incompleto
co-reto
na concreta poesia
de concreto e pedra
lapi(s)dada
pela calejada mão
do pedreiro inconformado
com as paralelas linhas infinitas...

A folha pálida contagia
o poeta exato
de palavras curtas
de versos sólidos
e sentimento abstrato

A folha pálida desafia
o poeta inexato
sem palavras bonitas
numa oficina de signos
em que habita sensato e único

29.1.06

não dá

ainda não
ainda não dá

é cedo ainda
é cedo para amar

assim se vive
à espera do amanhã

que nunca chega
que já passou

28.1.06

O Sonho

madrugada
e o silêncio noturno
pesando sobre a pupila dilatada
...
e o corpo jogado no leito
coberto de pêlos e sonhos
insiste em viver
...
é um resto de corpo que existe
prendendo uma alma já de partida
...
quem vê pensa que é gente
quem sente acha que é vida
...
mas é uma alma vagando perdida
entre o que já foi e será

27.1.06

ela, a outra

E quando não houver mais sol
nem estrelas
nem mar
nem aquele brilho no olhar

e quando não houver nem dor
quando o corpo todo for a própria dor

----------------------------------------

ela, a outra

ela vem
cada vez mais perto de mim
sinto sua sombra
seus suspiros, seus gemidos

ela vem
caminho pra ela sem fim
como uma criança
não a conheço mas estou indo

Algumas Palavras

Navegantes, aguardem que em breve sairá meu segundo livro. Eita maravilha!!! As coisas estão caminhando... vamos que vamos!!!
.
mais uma oportunidade
Foi divulgado, em 22/01/06, a QUARTA EDIÇÃO DO PRÊMIO CASA DE CULTURA MÁRIO QUINTANA, concurso literário que neste ano contemplará a categoria POESIA, com duas premiações, uma para Adultos outra para Jovens.
O prêmio, para ambos, será um contrato de edição da obra com 1.000 (um mil) exemplares com a Nova Prova Editora, mais R$ 8 mil e lançamento na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Clique no link e veja o regulamento.

26.1.06

Louca Saudade

Às vezes te procuro, meu amor
por entre as lembranças em que me perco
mas só encontro retratos e cartas
espalhados pela cama toda
não encontro o seu colo nem os seus seios
onde poderia se desfazer toda agonia e esta inquietação endógena

Meu amor, por entre cartas e retratos
entre poemas e retalhos de palavras
entre lágrimas e sua voz no celular gravada
entre folhas, flores e barquinhos de papel
espalhados entre as quatro paredes do meu quarto
sou apenas um fiapo de homem
navegando nos mares da saudade
à distância que me separa de você

23.1.06

Lapso

"no começo é ruim depois piora"
.
"antes mal acompanhado do que só"
.
.
nascemos pelados
depois criamos pelos
vivemos nos pelando... por tudo
morremos pelados
.
.
.
menina de 5 anos com a mãe no ônibus
...
menina: eu que escolhi o presente.
mãe: eh!
menina: eu te amo muito, mãe.
mãe: rsrsrsrs...
menina: quero te dar um abraço!
...
mãe-menina
menina-mãe
(abraço)

21.1.06

Lygia Fagundes Telles

Leia entrevista com a autora na Revista TPM.

1º CONCURSO LITERATURA PARA TODOS

"Numa iniciativa inédita, o Ministério da Educação criou o concurso literário Literatura para Todos. Com o objetivo de estimular a produção de livros escritos para jovens e adultos recém-alfabetizados, o concurso vai selecionar oito obras de diferentes gêneros literários que serão impressas e distribuídas pelo MEC para alunos das turmas do programa Brasil Alfabetizado.
Os livros deverão ser inéditos e podem se encaixar nas modalidades conto ou novela; crônica; poesia; biografia ou relato de viagem; ensaio ou reportagem; textos da tradição oral; esquetes, scripts, peças teatrais, roteiros de vídeo, cinema, quadrinhos; ou textos utilizando linguagem das Tecnologias de Informação e Comunicação (e-mails, blogs, comunidades virtuais, grupos de discussão, etc.)
A comissão julgadora vai selecionar oito obras, uma por modalidade, para serem editadas e distribuídas para todo o país. Cada livro terá uma tiragem inicial de 300 mil exemplares. Os autores dos livros escolhidos receberão prêmio de R$ 10 mil cada. Os textos deverão considerar as especificidades dos jovens e adultos em processo de alfabetização, contendo uma narrativa atraente a este público.
Os interessados em inscrever suas obras no concurso deverão fazê-lo entre 16 de dezembro de 2005 e 16 de março de 2006. Os textos deverão estar de acordo com os critérios previstos no edital do concurso (disponível para download) e devem ser enviados em três cópias impressas e uma em disquete para a Coordenação-Geral de Alfabetização do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação no endereço Esplanada dos Ministérios, Bloco L, sala 710, CEP: 70.047-900, Brasília, DF. Eventuais dúvidas poderão ser sanadas pelo endereço eletrônico concursoliterariosecad@mec.gov.br."
...
Confira na página o edital clicando aqui.
...
Fonte: SECAD/MEC

20.1.06

A Vida

A vida é muito curta
É só um suspiro de horas
Minutos e segundos que vão passando

Há em cada segundo uma vida
Uma vida para ser vivida

A vida é curta
A vida é breve e passa
Não cabe num poema a brevidade da vida

19.1.06

Chama

a palavra falada
nada
na taça da dama
acha vaga
na cama da ama
...
a chama da manhã
avança na cama
apaga a chama
da ama mal-amada

Quem Ama, Cutuca!

quem ama caduca
quem ama machuca
quem ama também xupa
quem ama escuta
quem ama dá upa
quem ama traga uca
quem ama desculpa
quem ama é mutuca
quem ama também cutuca
...
e por aí vai numa muvuca de amar é cheia...

18.1.06

Tu és o quélcio do pentalganilho
saltando as rimpas do pijoncidélio
...
Teus olhos tem abarcalhantes
que murmuram antes
dos catalecismos

17.1.06

ENTREVISTA DE EMPREGO

Recebi uma mensagem no orkut com esse texto e ri sozinho... não agüentei e tive que publicá-lo aqui. Essa é boa!!!! kkkkkkk
...
1) Candidato da USP:
...
Diretor: Qual é a coisa mais rápida do mundo?
Candidato: Ora, é um pensamento.
Diretor: Por que?
Candidato: Porque um pensamento ocorre quase instantaneamente.
Diretor: Muito bem, excelente resposta.
...
2) Candidato da PUC:
...
Diretor: Qual é a coisa mais rápida do mundo?
Candidato: Um piscar de olhos.
Diretor: Por que?
Candidato: Porque é tão rápido que as vezes nem vemos.
Diretor: Ótimo
...
3) Candidato de UNICAMP:
...
Diretor: Qual é a coisa mais rápida do mundo?
Candidato: A eletricidade.
Diretor: Por que?
Candidato: Veja, ao ligarmos um interruptor, acendemos umalâmpada a 5km de distância instantaneamente.
Diretor: Excelente.
...
4) Candidato da Escola Rural de Minas Gerais:
...
Diretor: Qual é a coisa mais rápida do mundo?
Candidato: Uma diarréia...
Diretor: Como assim? Esta brincando? Explique isso...
Candidato: Isso mesmo. Ontem a noite eu tive uma diarréia tão Forte que antes que eu pudesse pensar, piscar os olhos ou acender a Luz, já Tinha me cagado todo...
Diretor: O emprego é seu!

16.1.06

Editora "X" S.A.

E por falar em "formas" pré-estabelecidas socialmente, será que algum dia alguma Editora se interessará em publicar estes versos??? Talvez se eu me enquadrasse n'alguma forma! Quem sabe?! De fato tento, como todo escritor que quer ser escritor. Porque a gente só se torna escritor quando aprovado por olhos alheios. Até então somos simples mortais, normais... Precisamos de aprovação. Principalmente a do capitalismo! Não se faz coisas por prazer, mas por dinheiro, por lucro a curto prazo. E quem não quer ganhar o seu dindin? Ora, estamos presos. É assim que funciona, não adianta correr. E assim, vamos que vamos porque "se ficar o bicho come e se correr o bicho pega"! Um dia quem sabe surge uma proposta, porque já recebi respostas negativas. Mas isto não significa o fim. Só há fim quando se desiste!

Livres e Presos

to de saco cheio
que se dane o mundo
sou livre e estou preso por vontade
caminhamos assim
na ilusão de que somos livres, livres, livres
livres de que?
estamos todos em forminhas sociais
em panelas, tachos - que inferno!
somos o que os outros acham que somos
e assim remamos - saindo de uma panela caindo na outra
livres e presos
precisamos da aprovação de olhos alheios
nossos olhos estão muito próximos para enxergar a nós mesmos

13.1.06

Verso Partido

faço versos como quem pare
..................e parto
partindo,
................nem bem cheguei.
...
parto partido..........................
..............atravesso a nado
....................o rio dos meus olhos.

10.1.06

Galera,

agradeço a todos pela visita! Abraços, beijos e uma ótima quarta-feira!
...
***
2006 pra mim
já começou do avesso
começo
com cara de fim
***

Brasa Viva

você pensa
vou ser pena
voe e venha
vou ser lenha
você queima

9.1.06

Solitário Instante



Alta madrugada sob o lençol
da noite solitária e sombria,
desejoso dos quentes raios de sol
a iluminar-me na sombra do dia,

teu corpo almejo, mas estou sozinho,
destituído de vida e, ausente
na saudade e na angústia aqui presente,
tomado de amor, cálice de vinho

que me embriaga nos sonhos noturnos,
espectros, ilusões e pesadelos
em que te amo e me afogo em teus cabelos

e ouço tua voz sussurrando ao meu ouvido
e te aperto ao peito a ouvir teu gemido
e amo-te o corpo, a alma e o perfume.

Loucuras

Gostar de você é um erro!
Ao me apaixonar por você
fiz o meu próprio enterro.
...
Gostar de você é loucura!
Ao me entregar a você,
diz, não fui pra sepultura?

8.1.06

Como Contar Um Conto

Os apaixonados pela escrita, mais precisamente pelo conto, não podem deixar de ler o livro Como Contar Um Conto, do Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão. Li e recomendo. O Livro é resultado de uma oficina literária da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños.

7.1.06

LIBERDADE

Nesta tarde quero estar mais perto de Deus,
Mais perto do Sol, da Lua, do Céu...
Voar feito um pássaro
Livre, leve e solto na imensidão do ar.
Voar, voar, voar...
Para mais perto das estrelas e ver o mar;
Voar, voar, voar...
Para mais perto do sol e depois voltar;
Voar, voar, voar...
E junto com o sereno da noite molhar
As plantas, as flores, as orquídeas, os bosques...
E quando o Sol nascer eu quero estar
Envolvendo as pétalas das flores mais lindas...
Quero andar descalço pelos campos
E sentir o cheiro da terra;
Quero ser criança e estar em liberdade...
Voar, voar, voar...
Livre, leve, solto e sempre...

5.1.06

simplesmente LISPECTOR

Intolerância



Aos poucos você me mata
atira lajotas na minha cabeça
atira tijolos que eu uso para construir nosso castelo
essas palavras que eu uso para sonhar nossos sonhos

Palavras que penetram minha alma
rasgando todos os meus sonhos
palavras que me arrastam para o banheiro
e me fazem sentir como aquele lixo imundo

Você é apenas um espelho de mim
um espelho que reflete em dobro a minha dureza
espelho que não aprendeu a me ver
aos poucos você me mata

4.1.06

Paixão


Primeiro um olhar
...
depois o encontro
ou o afastamento
...
depois um toque
ou o desejo irreprimível
de realizá-lo
...
depois um beijo
perdidamente apaixonado
ou a saudade do encontro
nunca antes consumado
...
depois as conseqüências seguintes
perdidos que estão de amar
ou a angústia incompreensível
cansados que estão de esperar
a consumação do fato amor

3.1.06

Madrugada adentro

bêbado de insônia
tomo um banho, de madrugada
...
a garota do shampoo
olha e não diz nada
meus restos vitais
...
olhos de seda
vêem segredos mortais

2.1.06

Coca-Cola

Prezados(as) amigos(as) cibernéticos e reais, estou de volta e mais um ano está aí. Vamos vomitar muitos poemas, desafogar a alma, tirar essas palavras duras atravessadas no peito, no esôfago, esgoto e com gosto lançá-las ao vento, com gosto e gozo de fazedor e, apesar de todas as dores, inclusive a do parto, partimos, pois, por mais um ano e maravilha!!!
Para começar, vamos encher a cara de coca-cola:
...
Coca-Cola
...
Quase louco
de paixão
caio
na cadeira
de um bar
...
Chapo a cara
e encho o coco
de coca-cola
...
Quando acordo
da ressaca
tenho em cacos
meu coração
carente

Feliz 2006

Olá, bom dia!!! Estou de volta e maravilha! Feliz 2006 para todos nós, saúde e paz! Muito amor, sucesso e prosperidade!!! Novamente o trabalho, novos desafios, tantos projetos e vamos que vamos porque o trem não pode parar.
Até mais tarde e um forte abraço para todos! Viva a poesia!!!
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